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Entrevista com: Val Xavier | 30.10.2008

 
 

Valdemar de Menezes Xavier
Cantor e Compositor

Natural de Salgueiro - PE - 42 anos de idade
Filho de Valter Xavier e Maria Eurídice.

Esposa:
Rosana Nunes de Mello

Filho
Leonardo Licarião de Mello e Menezes

Irmãos:
Brenda Cristina
Brígida Maria
Tania Maria
Walter Romero.

Telefone para contato:
(85) 34590018 / 9997-0177

Email:
val_xavier@terra.com.br
 

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Portal Salgueiro: Solte sua voz, Val Xavier e conte um pouco de sua história. Pra começar, quem mais te incentivou a carreira de cantor e compositor?

Val Xavier: Tive incentivos de muitas pessoas, amigos, familiares, mas o que mais me impulsionou mesmo foi minha vontade própria. Porém, preciso salientar que minha carreira de cantor e compositor, até então, é um caminho à parte da minha real vida profissional, toda formada no segmento de administração e vendas em empresas comerciais. Fui bancário dos 17 aos 19 anos, atuei no depto. De vendas de uma grande multinacional de pneus dos 20 aos 41 anos e hoje gerencio o setor de vendas de carros novos de uma concessionária Ford em Fortaleza.

Portal Salgueiro: Val Xavier, quem foi Maria Eurídice pra você? Como mãe, cidadã, pianista e uma grande interprete da MPB?

Val Xavier: ivemos, eu e meus irmãos, a grande sorte de ter três mães: Tia Albertina e Tia Liinha, tias em primeiro grau de nossa mãe que a criaram, e D. Maria Eurídice. Esta última, a biológica, além de mãe sempre representou grandiosamente o lado alegre, criança, a veia musical verdadeiramente herdada, uma incentivadora e fã ardorosa, bem como uma grande voz sertaneja nas rodas de seresta de minha infância e juventude aí em Salgueiro. Como cidadã, minha mãe sempre foi uma pessoa de muitos bons relacionamentos, professora, foliã de carnaval, comerciante.

Como pianista, uma clássica intérprete de músicas românticas do cancioneiro popular, seresteiro, presença sempre marcante nas serestas da cidade, dentre tantos que personalizaram ricas tardes e noites que tínhamos como “Val Velho”, Doaciano, Carlinhos Torres, Antônio de Doaciano, Mestre Jaime, Lila...

Portal Salgueiro: Quando e como você começou a cantar e a compor?

Val Xavier: Desde 15, 16 anos, quando me aventurava a pedir algumas “canjas” em Recife, para onde fui me preparar ao vestibular, como muitos salgueirenses. As composições vieram em uma fase já mais adulta e madura, pelos anos 90.

Portal Salgueiro: Sua história com a música já começou com o forró?

Val Xavier: O forró sempre esteve presente, mas sempre tive forte influência da música nordestina em geral, de nomes como Fagner, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Luiz Gonzaga etc, de quem sempre gostei muito de cantar as composições. No nosso sertão não poderia ser diferente.

Portal Salgueiro: Qual é a música que não pode faltar no seu repertório? E em relação aos shows, existe algum lugar em especial que você gostaria sempre tocar durante o período junino?

Val Xavier: De minha autoria, “Algaroba e Aveloz”, primeira faixa de meu primeiro cd, gravada em 1997 com participação de Genaro, ex-integrante do Trio Nordestino. Não tem como não cantá-la em Salgueiro, onde tocou muito nas rádios, pois fala da cidade, da vida do sertão e o interior, “Eu vim de lá do interior / da terra seca onde o sol é muito quente / onde a chuva que não vem maltrata a gente / onde o suor valoriza a nossa dor”. “Lá é diferente, o chão ardente, a Algaroba, o Aveloz / A cor da terra e o clamor da nossa voz / Não tem um mundo mais bonito e é só pra nós”... 

Portal Salgueiro: Agora apesar de todo sucesso que o forró faz em todo país, ainda há quem diga que a força do ritmo está no período pré-junino e junino. Gostaria de saber como é ainda hoje lidar com este paradigma?

Val Xavier: É inegável que as “bandas” de forró estilizado ou eletrônico dominam o cenário musical, mas a gente vê que são modismos e que somente aquelas que possuem um trabalho diferenciado conseguem perdurar, como o é caso de Limão com Mel, Mastruz com Leite e até estas já não estão tão mais na mídia com há pouco tempo. Por outro lado, também os forrozeiros precisam de reciclagem, de melhorar arranjos, apresentações, gravações etc. Somente sanfona, zabumba e triângulo não atraem mais multidões e nem fazem a cabeça dos jovens. Mas, o forró tradicional ainda encontra bons lugares durante todo o ano. Lógico que as festas juninas dão um “up-grade” bastante importante.

Portal Salgueiro: Você se considera um cantor e compositor realizado? 

Val Xavier: Na minha vida pessoal e profissional sim e da maneira que levo a música dentro dela. Se vivesse profissionalmente da música, a resposta seria, sem dúvida, não, pois ainda há muita estrada a percorrer. Para fazer sucesso é preciso tratar a carreira musical como qualquer outro negócio, que necessita de investimento, tempo, produção, dedicação completa, comprometimento e muita qualidade. Rádios somente tocam músicas que dêem retorno financeiro a elas. Não as do interior, que vivem a humildade, tocam e recebem o artista iniciante com carinho, dão espaço para entrevistas. Nas capitais isto não existe (há exceções, claro!). Apresentações em televisão de grande audiência custam caro.

Portal Salgueiro: O que você mais ama na música?

Val Xavier: Amo muitas coisas. O humor, a alegria, o contágio, as pessoas cantando aquilo que você canta, o poder de penetrar no sentimento das pessoas, gerar saudades, amores, enfim sempre existe uma música que lembra um determinado momento na vida de alguém e isso é maravilhoso. Também em meu primeiro cd, há uma composição  minha chamada “ Sentidos” que fala justamente do poder da música:  “mudaram o meu pensamento / sofreram o meu sentimento / buscaram no fundo da alma o meu coração / Viveram meu interior / falaram sobre o meu pudor / mostraram a cara da vida e não disseram não ...” 

Portal Salgueiro: Como você faz pra compor?

Val Xavier: A composição pode vir de várias formas. Muitas vezes vem de inspiração momentânea, quando a gente tem que parar o que está fazendo, pegar caneta e papel e escrever senão esquece. Em outras oportunidades, busca-se concentração sobre algum tema e a composição sai na hora. Em ambas ou em qualquer forma é preciso ter talento, levar na veia o sangue artístico, ter habilidade para compor rimas e um bom vocabulário para mesclar palavras.

Portal Salgueiro: Você lembra qual foi o primeiro disco que comprou? O que despertou em música?

Val Xavier: Agora vc me pegou. Confesso que não lembro o primeiro disco comprado, mas na minha coleção de antigos LPs não faltam Fagner, Zé Ramalho, Moraes Moreira, Alceu, Luiz Gonzaga, as músicas baianas de Banda Reflexus, Mel, Chiclete com Banana (os baianos que eram bons) entre. O que realmente nunca comprei foi disco de música internacional, com exceção de Gipsy Kings, cujo trabalho de violões e voz acho fantástico, embora tenha alguns ganhos de presente como A-HÁ, Pink Floyd (coisas de juventude).

Portal Salgueiro: Quantos CD e DVD gravados e como foi a inspiração de algumas músicas?

Val Xavier: Tenho três cds gravados: o primeiro, em 1997, “Um sonho em verso e prosa”, gravei em Recife, com todas as composições de minha autoria, arranjos de TOVINHO, músico de ALCEU VALENÇA, com participação de GENAR, ex-integrante do Trio Nordestino e com os músicos da banda já extinta VERSÃO BRASILEIRA, que se apresentou bastante em Salgueiro e fez sucesso nos anos 90 . É o disco mais eclético, com forrós, toadas e baladas. Muita inspiração em “Algaroba e Aveloz”, “Três Amores”, “O Presente pelo futuro”, entre outras. 

O segundo já mais voltado ao forró tradicional, “Xô, saudade!”, também gravado em Recife, em 1999, com participações de ALCYMAR MONTEIRO e PETRÚCIO AMORIM, comecei a gravar outros compositores como Zé Ramalho, com “Beira-Mar”, Sá & Guarabyra, com “Sobradinho”, Petrúcio Amorim, com “Nem pedra, nem madeira”. Mais uma vez Genaro empresta sua maestria aos arranjos de sanfona. Neste, das 14, 10 são de minha autoria. Destaco ainda “Lembranças do Sertão” “...De pistola na mão se abre a porta / será que ainda suporta a humildade do sertão / nem só de violência, com tudo que é influência / vive o homem neste chão” , “ainda tem o que é bom demais / tem muito amor e muita paz / tem coisa boa de comer / queira ou não queira se sabe / tem um cantinho pra você” . Época de muitos assaltos e tráfico de armas no sertão, com Salgueiro despontando com principal cidade no polígono da maconha, tristes lembranças que registrei, mas mostrando o lado bom do sertão e do sertanejo.

O terceiro “Canto Livre”, gravado em 2004, quando já estava morando em Fortaleza pela segunda vez, com arranjos de Adelson Viana, sanfoneiro e arranjador de FAGNER, também com forrós, xotes e baiões, participação brilhante de FLÁVIO JOSÉ, grande ídolo e quem considero o melhor representante atual do nosso forró, ao lado de Dominguinhos. Destaques para “Sertaneja” de René Bittencourt, grande sucesso de seresta, em homenagem à minha mãe, que a cantava muito, “Cabeça-chata”, de Chico Pessoa, paraibano já gravado por Elba Ramalho, em homenagem ao Cearense, que me recebeu com muito carinho e hospitalidade; “Saudades da minha terra”, composição de minha autoria para minha infância e juventude em Salgueiro... e vem aí o primeiro DVD, gravado em no São João de Salgueiro deste ano.

Portal Salgueiro: Conte um pouquinho de algumas poesias gravada no 1º e 3º CDs.

Val Xavier: No primeiro, a faixa “Três amores” é uma homenagem ao meu filho, Leonardo, hoje com 12 anos, minha esposa Rosana e o terceiro amor, que não veio, que seria nossa filha Maria Luisa (Malu) – “Amanheceu o sol brilhou Malumarei (contração de Malu amarei) / Anoiteceu, tudo mudou Leo amarei / seja na terra ou no mar, seja onde for / aconteceu, o que eu quero é o teu amor”. Deste, já falei de “Algaroba e Aveloz”, “Sentidos”, mas quero destacar também a faixa-título, “Um sonho em verso e prosa”, que fala do meu sonho musical: “como todo mundo, na vida tenho um sonho / de ouvir soar, de fazer seguir / uma palavra, uma história / um verso, uma prosa / uma moda de viola”...

No terceiro, “Saudade da minha terra” é Salgueiro Pura – “Carlos Pena minha base / onde vivi uma grande fase / comecei a aprender a história do meu país / como era bom, era feliz / de manhazinha entardecer”... “natal era nas barracas / e as vitrolas embaladas / Roberto Carlos a tocar / de roupa nova e bonita, todo mundo desfila, na ACS a dançar / e quando chega o carnaval, Mestre Jaime é tal e a Bicharada na avenida / em cima de caminhão, de casa em casa se vão / Prof. João Carlos e Alenita...   De tudo tem um pouquinho, tem pé-de-serra pra ver / seca, chuva e alegria, sertão bom de viver / saudade da minha terra, do meu povo bom e altaneiro / SALGUEIRO, NOBRE SALGUEIRO, EU NUNCA VOU TE ESQUECER”.

Portal Salgueiro: Quais dos seus antigos ídolos se tornaram atuais colegas?

Val Xavier: Flávio José, Petrúcio Amorim, Alcymar Monteiro, Santana, Fagner...

Portal Salgueiro: Quando você saiu de Salgueiro?

Val Xavier: Saí em 1981, para iniciar o antigo 2º. Grau em Recife, para onde já tinham ido minha duas irmãs menos novas, onde fiquei até final de 1987, já cursando Administração de Empresas. De lá segui para Belém-PA, onde morei até final de 1988, seguindo então a Fortaleza, onde fiquei até final de 1993. Em 1994, voltando a Recife, fiquei até 2001, retornando em 2002 a Fortaleza, onde estou até hoje.

Portal Salgueiro: Sabemos que Fortaleza é um celeiro musical enorme. Como foi sua chegada em Fortaleza?

Val Xavier: A minha primeira chegada foi no início de 1988, aos 22 anos de idade. Durante esta  primeira passagem (fiquei até final de 1993) é que comecei realmente a ter um lado mais próxima à música, cantando em barracas de praia muito freqüentadas por aqui e fazendo parte de um famoso grupo de pagode local, o “+ ou -”, no qual eu cantava músicas baianas. Foi uma experiência muito boa, que me trouxe uma rede de relacionamentos muito bacana na cidade. As apresentações em bares foram se multiplicando, sempre às horas vagas.

Portal: Você voltaria a morar em Salgueiro?

Val Xavier: Tenho um carinho muito grande por minha terra natal, parentes, amigos e vou aí pelo menos duas, três vezes por ano, mas minha formação desde os 14 anos foi em capital, portanto considero voltar a morar muito difícil.

Jamais direi que não voltaria, pois o velho mundo dá muitas voltas, apenas considero difícil esta possibilidade. Estou sempre ligado pela internet, bem como com minha família que aí mora. Pena que são 580 km que nos separam, senão iria mais vezes ver o meu CARCARÁ jogar.

Portal de Salgueiro: O que mais gosta de fazer no dia-dia?

Val Xavier: Sempre fui uma pessoa bastante voltada ao trabalho desde cedo, sempre com vendas. Antes de pneus, agora do carro todo. Realizo-me trabalhando, cantando e tocando, estando ao lado dos meus amores, rodeado de amigos. Sou festeiro, gosto da noite, sou boêmio, de bater minha bolinha, fazer gols, puxei a D. Maria Eurídice...

Portal Salgueiro: Conte um pouquinho deste novo projeto que foi gravado em Salgueiro no São João de 2008.

Val Xavier: Na realidade este projeto ainda não é o que eu gostaria que fosse, com uma produção mais esmerada, um palco só meu, com os efeitos/luzes que eu quisesse. Aproveitei a oportunidade de abrir o São João de Salgueiro, contatei meus amigos Ailton Souza (Talismã Produções) e Toinho, para organizarmos a gravação que, se não é uma big-produção, é um belo registro, com músicas dançantes e com um rico repertório, além da presença de muitos amigos.

Portal Salgueiro: um conselho para quem esta começando

Val Xavier: Dedicação total. Se o grande objetivo for o sucesso, a carreira musical, não tem como consegui-lo sem muita dedicação, esmero, batalha, busca por fazer sempre melhor, não se intimidar em pedir ajuda ou buscar a participação de grandes nomes, “correr atrás”, ou melhor, à frente, pois se eu tivesse hoje vinte e poucos anos e estivesse começando, assim o faria.

Portal Salgueiro; Que tal deixar na nossa página do portal seu contatos?

Val Xavier: 85 – 34590018 / 9997-0177 / val_xavier@terra.com.br

Portal Salgueiro: Muito obrigado Val Xavier e até a próxima.

Val Xavier: Agradeço a oportunidade, parabenizo o site por falar tanto da nossa terra, divulgar nossos valores, nossa cultura. Sempre o estou acessando e me antenando com os acontecimentos. A todos de Salgueiro e região, aos futuros administradores da cidade recentemente eleitos pelo povo meus votos de boa sorte e que continuem  trabalhando para o bem-estar social cada vez melhor e pelos nomes da cultura salgueirense, e a vc, João, o meu querido abraço.

 
 

Show em Salgueiro - 2007

 

 

 
 

 

Rosana (Esposa) e Leonardo (Filho)

 
 
 

 

Val Xavier e Flávio Leandro

 

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