Sexta, 15 de julho de 2011
Repleta de figurinhas carimbadas, Série C começa neste sábado
Por Marcelo Baltar
Lopes (Fortaleza); Ruy (Brasiliense),
Teco (Brasiliense), Asprilla (Brasil de Pelotas) e Edinho
(Brasiliense); Sandro Goiano (Paysandu), Leo Medeiros
(Brasil de Pelotas), Souza (América-RN) e Ramon (Joinville);
Tuta (Brasiliense) e Josiel (Paysandu). No banco, opções
como Jaílton (Ipatinga), Adrianinho (Brasiliense) e Acosta
(Brasiliense). Do time escalado acima, todos os jogadores já
tiveram seus momentos de fama em clubes da elite do futebol
brasileiro. Hoje, porém, sem espaço nas séries A e B,
preparam-se para a disputa da Terceira Divisão. Acostumados
à companhia de atletas renomados, eles terão agora, ao lado
de um vasto grupo de desconhecidos, a árdua missão de buscar
uma vaga na Segunda Divisão nacional, onde as coisas começam
a clarear para as agremiações de menor investimento.
Ao contrário das séries A e B, a CBF não arca com as
despesas de viagens e hospedagens. Além disso, sem a
exibição da TV, os clubes não recebem cotas e patrocínios
vantajosos. Por isso, a Série B é vista quase como um
eldorado para as equipes da Terceirona, que sonham com
acesso visando a uma mudança drástica de patamar, em termos
financeiros e de exposição.
Com 20 clubes em busca do acesso, a Série C começa neste
sábado. A fórmula é um pouco diferente da usada no ano
passado. Serão quatro grupos regionais compostos por cinco
clubes cada. Os dois melhores de cada chave avançam à
segunda fase, quando serão formados mais dois grupos com
quatro clubes. Os vencedores se enfrentam na decisão, em
dois jogos. Os quatro melhores colocados sobem para a Série
B. O campeão será conhecido no dia 13 de novembro.
Gigantes
adormecidos
Dos 20 integrantes da Série C em 2011, dois clubes
especialmente não gostariam de disputá-la. Paysandu e
Fortaleza já viveram dias melhores. Hoje, apesar de toda a
tradição, estão estagnados na Terceira Divisão. Terceiro
colocado no Campeonato Cearense, o Leão contratou 20
jogadores para a disputa da Série C. Apesar da má campanha
no estadual, a equipe terá o apoio do torcedor. Em uma
demostração de paixão, cerca de 4 mil pessoas compareceram à
apresentação do novo time.
- A torcida do Fortaleza não merece o time na Série C. Não é
o lugar do clube. Estamos na Terceira, mas não é um clube de
terceira. Nas últimas duas vezes em que disputamos a Série
A, ficamos entre os clubes de melhor arrecadação. A torcida
cearense é apaixonada por futebol. Estamos aqui devido a
algumas administrações irresponsáveis. Problemas existem.
Mas estamos organizando, e a torcida confia muito –
ressaltou o presidente do Fortaleza, Osmar Baquit, revelando
que o clube tentou a contratação de Carlinhos Bala mas,
devido ao comportamento do jogador e seu empresário durante
as negociações, descartou o negócio.
Se o clube cearense vai para sua segunda temporada na Série
C, o que dizer do Paysandu? O Papão da Curuzu, que chegou a
disputar a Taça Libertadores em 2003, está estagnado na
Terceira Divisão desde 2007. Responsável por algumas das
maiores médias de públicos da Série A na década passada, o
clube falhou nas tentativas de acesso nos últimos quatro
anos. A aposta é no técnico Roberto Fernandes, que chega com
experiência de quem já comandou clubes da elite do futebol
brasileiro, como Figueirense e Atlético-PR.
- O clube está investindo e contratando jogadores para fazer
um papel eficiente na Série C. Com as contratações, acredito
em uma brilhante participação – exaltou Carlos Pupo, gerente
de futebol do Papão.
Uma dessas contratações é o atacante Josiel, artilheiro do
Campeonato Brasileiro pelo Paraná em 2007. Após passagens
por Flamengo, Jaguares-MEX e Atlético-GO, o jogador é uma
das apostas do Paysandu para a disputa da Série C. Ao lado
do volante Sandro Goiano, ex-Grêmio, terá a responsabilidade
de levar experiência ao jovem time. Outro destaque é o
atacante Rafael Oliveira, terceiro maior artilheiro do
Brasil na temporada, com 20 gols.
Outro jogador que há pouco estava na elite é Ramon. Aos 39
anos, o veterano meia assumiu a responsabilidade de comandar
o meio de campo do Joinville e vai disputar seu primeiro
campeonato nacional longe da Série A.
- É um campeonato diferente de tudo que já participei. Mas é
uma competição muito forte e disputada. Aceitei vir para o
Joinville e disputar a Série C pelo projeto do clube, que me
ofereceu dois anos de contratato. Temos o objetivo de chegar
à Segunda Divisão. A nossa torcida é muito vibrante e está
empolgada - disse o meia que, apesar da idade, ficou fora de
apenas um jogo no Campeonato Catarinense.
Realidade
diferenciada
Um clube que chama a atenção pelo alto investimento na
competição é o Brasiliense. Rebaixado para a Série C no ano
passado, o clube manteve boa parte do grupo que caiu. Nomes
como Tuta, Acosta, Ruy e Adrianinho seguem na Arena do
Jacaré.
- São jogadores que foram muito profissionais e
compreenderam o que é o Brasiliense. Embora sejam atletas de
Série A, concordaram em defender o time na Série C. Vamos
fazer um esforço para montar uma equipe competitiva, que nos
permita voltar para a Série B - disse o presidente do clube,
Luiz Estevão.
Os bons salários e os altos bichos pagos pelo dirigente do
Brasiliense atraem jogadores para a disputa da Série C.
- Não fico frustrado, até porque continuam existindo
sondagens. Mas apesar de estar na Série C, o Brasiliense
cumpre suas obrigações. Além disso, o que ganho aqui de
salário e premiações é coisa de Série A. Lógico que se tiver
uma proposta irrecusável, não serei doido de rasgar
dinheiro, mas chega um momento que é melhor ficar num lugar
onde você se sente bem. Outros projetos que me apresentaram
não valeram a pena – disse o lateral-direito Ruy.
Eixo Rio-São Paulo
Quando o assunto é Série C, clubes do eixo Rio-São Paulo são
poucos. Apenas quatro. O Madureira, que teve boa
participação no Campeonato Carioca, é uma incógnita. O time
perdeu vários destaques como Rodrigo (Fluminense), Valdir
(Goiás), Abedi (Duque de Caxias) e Adriano Magrão
(dispensado). Para o ataque, trouxe o atacante Hiroshi, que
ficou conhecido por marcar o gol que eliminou o Flamengo da
Taça Guanabara em 2009, quando atuava pelo Resende.
O Macaé quer apagar a traumática eliminação para o Criciúma
no ano passado, quando caiu nas quartas de final e bateu na
trave no acesso para a Segunda Divisão. A base segue a mesma
dos últimos anos, com o lateral Bill e o volante André Gomes
como jogadores mais manjados do elenco.
O Santo André espera dar um basta e frear a queda livre que
o time vive desde 2009, quando disputou a Série A. Em um ano
e meio, o clube caiu duas divisões nacionais e, nesta
temporada, foi rebaixado para a Segunda Divisão de São
Paulo. O outro clube paulista, o Marília, aposta em um grupo
de jovens para não repetir a fraca campanha da temporada,
quando quase caiu para a Série D.
Estaduais são termômetros?
Um dos campeonatos mais democráticos do país, a Série C tem
de tudo. Desde o campeão catarinense – estado com dois
clubes na Série A -, a clube rebaixado para a Segunda
Divisão de Tocantins.
O Chapecoense entra cheio de moral para a disputa da Série
C. No primeiro semestre, não tomou conhecimento de Avaí,
Criciúma e Figueirense e faturou o título em Santa Catarina.
A base da equipe é quase a mesma, mas o atacante Aloísio,
artilheiro do estadual, acertou com o Figueirense.
Por outro lado, o Araguaína-TO foi rebaixado no Campeonato
Tocantinense. O caçula da Série C teve um primeiro semestre
decepcionante que culminou em uma série de mudanças no
clube. A diretoria caiu. O novo presidente trouxe de volta o
técnico Léo Goiano, responsável pelo acesso do Araguaína no
ano passado.
- Somente quatro jogadores que disputaram o estadual
ficaram. Montamos um novo elenco. Trouxe alguns jogadores da
região e outros do futebol goiano. Nossa folha salarial é
pequena (R$ 50 mil), mas tenho certeza que vamos fazer um
campeonato muito bom – disse o técnico Leo Goiano, principal
responsável pela reformulação no elenco do Tourão.
Outro clube que disputa a Segunda Divisão estadual e estará
na disputa da Série C é o Brasil de Pelotas. O tradicional
clube gaúcho, que foi terceiro colocado no Campeonato
Brasileiro de 1985, espera presentear sua torcida com o
acesso para a Série B no ano de seu centenário. Os
principais destaques são os atacantes Marcos Denner
(ex-Flamengo) e Luiz Cláudio (ex-Ceará e Inter), e o meia
Léo Medeiros (ex-Flamengo).
- Nosso objetivo é estar entre os 40 melhores clubes do
Brasil em 2012 - destacou o presidente do clube, André
Araújo.
Primeira rodada
Grupo A
Águia de Marabá x Luverdense (sábado, às 18h)
Araguaína x Paysandu (segunda, às 20h30)
Grupo B
Guarany de Sobral x Campinense (sábado, às 16h30)
CRB x Fortaleza (sábado, às 17h)
Grupo C
Brasiliense x Madureira (sábado, às 16h)
Macaé x Marília (sábado, às 16h)
Grupo D
Santo André x Brasil de Pelotas (domingo, às15h)
Caxias x Chapecoense (domingo, às15h)
