Menor diz em depoimento que ossos de
Eliza Samudio foram concretados
Jovem disse que ouviu goleiro pedir para 'resolverem o
problema'.
Ele disse ter visto mão de ex-namorada de Bruno ser jogada a
cães.Do G1
O Jornal Nacional teve acesso com exclusividade ao
depoimento que provocou uma reviravolta no caso Bruno. Em
quatro folhas, o menor apreendido na terça-feira (6) na casa
do goleiro do Flamengo conta sua versão dos fatos. Ele disse
que foi convidado por Luiz Henrique Ferreira Romão, o amigo
de Bruno conhecido como Macarrão, a levar Eliza Samudio ao
sítio do goleiro em Minas Gerais. Macarrão já tinha
planejado tudo e mandou o adolescente se esconder no
porta-malas do carro.
Já com o carro em movimento, o menor conta que estava na
mala do veículo e pulou para o banco de trás com a arma em
punho, rendendo Eliza e dizendo: "perdeu Eliza"
Segundo o adolescente, Eliza conseguiu pegar a arma e
atirou contra o menor, mas a arma estava sem munição. O
adolescente conseguiu recuperar a arma e deu três coronhadas
na cabeça de Eliza.
O jovem diz que a viagem continuou até o sítio de Bruno.
O rapaz dormiu em um quarto. Macarrão em outro. E Eliza, com
o filho, dormiu em um terceiro quarto. Havia também uma
empregada doméstica.
No dia seguinte, Eliza não permaneceu trancada. Sérgio Rosa
Sales, que chegou naquele dia, passou a vigiar Eliza,
segundo o menor.
Ele disse que viu Sérgio entregar um telefone para que
Eliza ligasse para uma amiga de São Paulo. Sérgio mandava
dizer que estava tudo bem, que ela receberia dinheiro e um
apartamento em Belo Horizonte. Eliza foi ameaçada de morte
caso não dissesse o combinado.
O menor conta que, no dia seguinte, Bruno chegou de táxi
ao sítio, pois tinha viajado de avião para Belo Horizonte. O
adolescente conta que ouviu Bruno dizer para Macarrão e
Sérgio que era para eles resolverem o problema. Que não
queria problemas para o lado dele e que ele, Bruno, não
saberia de nada.
Segundo o depoimento, Macarrão e Sérgio disseram que não
poderiam libertar Eliza, pois o problema seria ainda maior.
Bruno disse então que já tinha acontecido "m...." da
primeira vez, e não queria que o problema se repetisse com
Eliza.
O goleiro permaneceu no sítio por duas horas e depois
chamou um táxi para levá-lo até o aeroporto, pois queria
voltar para o Rio no mesmo dia.
No dia seguinte, o adolescente, Macarrão, Sérgio, Eliza e
o filho dela entraram no carro de Bruno e seguiram rumo a
Belo Horizonte.
O adolescente contou que chegaram a um local que se
parecia com um sítio. Foram recebidos por um homem alto,
negro, chamado Neném.
Vem então a parte mais forte do depoimento: segundo o
menor, Neném pegou Eliza, amarrou os braços dela com uma
corda e deu uma gravata, sufocando-a. Neném pediu que todos
deixassem o local. Sérgio carregava o filho de Eliza.
Logo depois, segundo o jovem, Neném passou carregando um
saco e seguiu em direção a um canil, onde havia quatro
rotweillers. O adolescente viu o momento em que Neném
retirou a mão de Eliza e arremessou para os cães.
O adolescente disse que os ossos de Eliza foram
concretados no mesmo terreno em que ela foi morta. Ele
inocentou a mulher de Bruno, Dayane Rodrigues, de
participação no assassinato de Eliza.
Segundo o menor, Dayane foi ao sítio de Bruno depois do
crime - e soube apenas que o bebê de Eliza tinha sido
deixado no local.
O adolescente disse ainda que não falou com Bruno sobre o
que aconteceu com Eliza, mas acredita que Macarrão tenha
contado o desfecho do sequestro. |