EUA se dizem 'decepcionados' com a libertação
de Polanski pela Suíça
Justiça suíça decidiu não
extraditar o cineasta, que cumpria pena no país.
Por seu advogado, diretor mandou ‘imenso obrigado’ aos que o apoiaram.
Do G1
O governo americano se declarou
“decepcionado” e afirma que “continuará buscando justiça” no caso Roman
Polanski. Nesta segunda-feira (12) o ministério da Justiça da Suíça
anunciou que vai libertar o cineasta da prisão domiciliar e que não o
extraditará para os Estados Unidos. Polanski é acusado de abuso sexual
de uma menor, cometido em 1977.
“Consideramos que a violação de uma menina
de 13 anos por um adulto é um crime e por ele continuaremos buscando
justiça nesse caso”, disse porta-voz do Departamento de Estado americano
Phillip Crowley em comunicado oficial. |
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O diretor Roman
Polanski (Foto: Roberto Pfeil / AP) |
O
diretor agradeceu com um "imenso obrigado" a todos os que o apoiaram e afirmou
que não falará publicamente sobre a decisão da Suíça de libertá-lo, numa
declaração do cineasta transmitida à agência France Presse por seu advogado
Hervé Temime.
O
veredicto do caso foi anunciado pela ministra suíça da Justiça Eveline
Widmer-Schlumpf, que, em coletiva de imprensa em Berna, afirmou que Polanski
"não será extraditado para os Estados Unidos e as medidas de restrição de sua
liberdade são suprimidas".
"Polanski é um homem livre desde 11h30 de hoje", disse a ministra. "Ele poderá
ir à França, à Polônia ou qualquer outro lugar onde não será preso."
A
ministra afirmou ainda que os Estados Unidos podem mover um recurso
internacional contra a decisão, mas que não prevê que isso seja feito.
Widmer-Schlumpf explicou ainda que as investigações não permitem excluir
"vícios" no pedido de extradição americano.
"O
motivo da decisão está no fato de que não foi possível excluir com a certeza
necessária um erro no pedido de extradição dos Estados Unidos".
Bracelete retirado
O bracelete eletrônico que Polanski usava desde dezembro de 2009, quando saiu da
prisão e foi colocado em prisão domiciliar em seu chalé em Gstaad, foi retirado
dele, informou ainda a ministra.
As
autoridades suíças consideraram igualmente que a aplicação do tratado de
extradição com os Estados Unidos "deve respeitar as regras de boa fé e, por
isso, levar em conta o "clima de confiança" que foi criado com as estadas
regulares de Polanski na Suíça "desde a compra de seu chalé em Gstaad, em 2006".
O
diretor foi detido em setembro de 2009 ao chegar ao aeroporto de Zurique, onde
ia receber um prêmio do Festival de Cinema dessa cidade.
"Roman Polanski não teria evidentemente vindo ao Festival de Cinema de Zurique
em setembro de 2009 se não tivesse tido confiança no fato de que essa viagem não
teria consequências jurídicas", assinala o ministério suíço da Justiça, em um
comunicado publicado por ocasião da coletiva de imprensa.
O
advogado de Polanski e os embaixadores americano, francês e polonês na Suíça
foram informados da decisão.
Em
Paris, o advogado francês de Polanski, George Kiejman, se declarou "muito
contente e emocionado" com a decisão, e prestou "homenagem à justiça suíça",
estimando que "sua análise jurídica é muito justa".
Na
semana passada, oficiais da justiça suíça relevaram que Polanski deveria ganhar
extradição em breve. A informação foi declarada por Folco Galli, porta-voz do
Ministério da Justiça da Suíça. “Não irá demorar”, revelou.
O crime
Polanski é procurado por ter fugido dos EUA na véspera de seu sentenciamento
formal pela acusação criminal, feita em 1977, de ter tido relações sexuais
ilegais com uma menina de 13 anos, a quem ainda foi acusado de dar drogas e
álcool.
O
diretor de 76 anos, que recebeu o Oscar de melhor diretor em 2002 pelo filme "O
pianista", sobre o Holocausto, está no país europeu desde setembro de 2009, a
pedido dos Estados Unidos. Ele estava em visita a Zurique para receber uma
homenagem em um festival de cinema.
Após
pagar uma fiança de US$ 4,5 milhões, Polanski está em prisão domiciliar em um
luxuoso chalé localizado nos Alpes suíços.
Trajetória
Nascido em 1933, filho de judeus poloneses, sua
vida foi marcada por uma fuga do gueto de Cracóvia e pelo assassinato de sua
esposa grávida, a atriz Sharon Tate, em 1969, por seguidores de Charles Manson,
líder de uma seita.
Polanski é conhecido sobretudo por filmes clássicos como "Chinatown", que
recebeu 11 indicações ao Oscar, e "O bebê de Rosemary".
Ele
completou seu filme mais recente, "O escritor fantasma", baseado em um
best-seller de Robert Harris, enquanto estava em prisão domiciliar na Suíça.
A
prisão do cineasta motivou reações de protesto da indústria de cinema global e
em alguns círculos políticos da França, onde ele reside há muitos anos. Diversos
cineastas, desde Woody Allen e Martin Scorsese até Jean-Luc Godard, expressaram
apoio a Polanski. |