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Candidato
de R$ 92 mi vive em casebre na periferia de SP
Dono do
sexto maior patrimônio entre os mais de 5.700 candidatos a
deputado federal no país, Selmo Santos (DEM-SP) declarou à
Justiça Eleitoral possuir participação de R$ 80 milhões numa
universidade que não existe.
Da
Folha.Com
Apesar de declaradamente
milionário, o endereço oficial da candidatura de Selmo
Santos, 37, é uma casa simples, com tijolos à mostra, sem
campainha, vigiada por um vira-lata e com roupas estendidas
em um varal.
Segundo vizinhos, Selmo mora
no local com a mãe, mas eles disseram não saber o telefone
da residência. Seu advogado, André Luiz Stival, confirma que
ele reside na casa. A Folha foi ao local na
segunda-feira, mas não havia ninguém em casa.
Procurado desde sexta, Santos,
por meio do advogado, não deu explicação sobre a
discrepância entre patrimônio declarado e realidade. "Aí é
com ele e com a Receita Federal", afirmou.
Em março deste ano, Santos foi
condenado a um ano e dois meses de prisão, em regime
semiaberto, por estelionato. A sentença é da 11ª Vara
Criminal de São Paulo.
Em 2004, ele já havia sido
preso em flagrante pela Polícia Federal por tráfico de
drogas. Ainda responde a dois outros processos: um por
falsidade ideológica, e outro por estelionato.
No registro de sua candidatura
no Tribunal Regional Eleitoral, Santos se diz "diretor de
estabelecimento de ensino" e dono de bens num total de R$
91,6 milhões.
Além de diretor da Unilma
(Centro Universitário Livre do Meio Ambiente), Santos tem
carteira de estagiário da OAB e já atuou como defensor de
acusados por tráfico e roubo em processos.
O Ministério da Educação não
tem nenhum registro da Unilma. A faculdade, apesar de não
existir, conta com brasão e estatuto registrado em cartório.
Está formalmente sediada numa casa na zona leste de São
Paulo, segundo registros na Receita Federal. A família que
mora ali diz nunca ter ouvido falar da instituição ou de
Santos.
O estatuto da entidade prevê,
como uma de suas fontes de renda, "doações e contribuições
de pessoas físicas e jurídicas nacionais, estrangeiras e
internacionais".
Além da participação na
universidade, a declaração de bens de Santos inclui, entre
outros, dois imóveis em regiões de luxo em São Paulo e R$ 4
milhões aplicados em caderneta de poupança.
Ele consta como um dos três
fundadores da entidade, em maio de 2002. À época, tinha 29
anos. Além dele, outras duas pessoas assinam a ata de
fundação da instituição: o reitor Luiz Alberto Ribeiro e a
pró-reitora acadêmica Maria das Dores Oliveira.
Na ata, ambos declaram morar
numa mesma casa na Vila Brasilândia, uma das regiões mais
pobres de São Paulo, na zona norte.
Selmo é um dos 31 candidatos à
Câmara pelo DEM-SP. O processo de definição dos nomes do
partido foi acompanhado de perto pelo presidente do
diretório estadual e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
OUTRO LADO
O advogado do candidato Selmo
Santos (DEM-SP), André Luiz Stival, não conseguiu explicar
como seu cliente construiu um patrimônio de R$ 91,6 milhões.
"Não sei [como]. Aí é com ele e com a Receita Federal",
afirmou o advogado.
Stival disse não saber se a
declaração entregue por Santos à Justiça Eleitoral é
semelhante à sua declaração de Imposto de Renda.
A Folha tenta contato
direto com Santos desde a última sexta-feira. Ele não
retornou os recados deixados no celular informado no
registro de sua candidatura. Seu advogado não informou à
Folha os telefones de seu cliente.
Stival admitiu que a Unilma,
criada oficialmente em 2002, não existe de fato. "Ela está
em fase de implantação, recolhendo patrocínios, mas ainda
não tem um local físico", disse Stival, que não informou
quais seriam esses patrocinadores.
Sobre o histórico de
condenação e processos criminais contra Santos, Stival
afirmou não ter informações por cuidar "da parte cível
dele". No entanto, ele representa Santos em um processo por
estelionato.
Questionado se a universidade
seria fachada para alguma atividade ilícita, o advogado
disse que "aí é uma questão de investigação".
O DEM, em nota, disse que
Santos "cumpriu todas as formalidades necessárias para a
indicação [à disputa]". |