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Segunda, 26.07.2010
às
09h59 |
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Para engordar com saúde, abuso de gorduras é dispensável
Especialistas dizem que dieta saudável e exercícios são
melhores métodos.
Magreza excessiva pode ser tanto genética como
patológica.
Do G1
A tentativa de engordar rápido e disfarçar pernas e
braços finos leva muitas pessoas a se precipitar quanto à
estratégia correta para ganhar peso. Preocupadas em números
mais interessantes na balança, muitas utilizam remédios e
iniciam dietas com muitas calorias, nem sempre com atenção
voltada à saúde.
"Frituras e doces podem exigir mais trabalho digestivo
para o organismo, mais gasto de energia e, no fim, chances
menores para formação gordura e músculos ausentes", explica
Virgínia Nascimento, nutricionista clínica e vice-presidente
da Asssociação Brasileira de Nutrição (ASBRAN).

Izabella com 46 quilos e depois de ganhar peso,
com 51 (Fotos: Izabella Conceição/arquivo pessoal) |
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É o caso de Izabela
Conceição da Silva, de 27 anos. "Eu ficaria
satisfeita com 56 ou 58 quilos. Vou ganhar o meu
peso e depois vou ver colesterol, essas coisas", diz
a técnica em radiologia na cidade de Silva Jardim
(RJ).
O cuidado com gorduras
e o controle no aumento do colesterol HDL e dos
triglicérides são preocupações dos especialistas ao
tratar pacientes com baixo peso. "A dieta adequada
deve conter vitaminas e minerais, calorias que podem
ser aumentadas e não simplesmente açúcar e gordura",
explica Virgínia.
Izabela tem 1,72 metro
e já chegou a pesar 42 quilos. Atualmente, está com
54. "Após tomar apevitin, ganhei algum peso, voltei
a fazer exercícios e como muito hambúrguer, pois o
remédio abre muito o apetite", explica Izabela, que
também toma repositores energéticos, shakes e
coquetel de maltodextrina. |
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Atividade
física x calorias
Já no caso da bióloga
Cibelle Mazzucato, de 26 anos, a dieta hipercalórica
não funcionou e a prática de exercícios com
alimentação saudável foi imprescindível. "Quando eu
estava bem magra, meus triglicérides eram altos",
explica a habitante de Maracaju (MS).
Cibelli mede 1,63 m e
pesava 43 quilos há dois anos. Após o início da
prática de exercícios e de uma nova dieta, a bióloga
pulou para 52 quilos, mas ainda deseja ganhar mais
três. "A primeira nutricionista que visitei, aos 19
anos, me passou uma muita caloria e eu não dei
conta", explica a bióloga.
"Engordei quatro
quilos e comecei a acumular gordura no abdome por
não fazer atividade física, o que também não me
deixou satisfeita", diz Cibelle. "Após me formar,
fui a um endocrinologista e passei a comer direito e
fazer atividade física." |
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Desconforto
Deixada em segundo
plano na comparação com o debate sobre obesidade, a
magreza excessiva também é uma condição capaz de
gerar desconforto e pressa para engordar.
"Assim como uma pessoa
tem dificuldade para perder peso, o magro também faz
dietas malucas, a sensação é a mesma", afirma
Izabela. "O que mais perturba é a roupa, as pessoas
têm a ideia de que toda roupa cai bem com com o
magro, mas pernas e braços sempre incomodam."
"Ninguém dá bola ao
problema dos magrinhos, mas nunca fui contente em
ser a magrelinha da família", diz Cibelli. "Na
adolescência a situação foi piorando e na faculdade
passei por uma situação constrangedora, não queria
mais ir à aula." |
Cibelle, com 43 quilos
há dois anos e atualmente,
com 52 (Foto: Cibelle Mazzucato / arquivo pessoal) |
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Diagnóstico
Para saber se uma pessoa é
magra por natureza ou se possui algum distúrbio alimentar ou
doença, os médicos solicitam exames de sangue para detectar
indícios de anemia, deficiência de vitaminas no corpo, medir
níveis de proteína e a qualidade de cabelos, pele, unha e
mucosas.
Câncer, doenças intestinais e
deficiências como intolerância ao glúten ou à lactose são
exemplos de causas para a magreza excessiva.
O Índice de Massa Corporal
(IMC), padrão internacional usado para calcular a relação
entre altura e massa ideal nas pessoas, também serve como
base para identificar casos de obesidade ou magreza em
pessoas acima de 18 anos (veja tabela abaixo).
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Valor do
IMC |
Diagnóstico |
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Abaixo
de 18,5 |
Excesso
de magreza |
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Entre
18,5 e 24,9 |
Peso
normal |
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Entre
25 e 29,9 |
Excesso
de peso |
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Entre
30 e 34,9 |
Obesidade (grau I) |
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Entre
35 e 40 |
Obesidade (grau II) |
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Acima
de 40 |
Obesidade (grau III) |
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Segundo a
endocrinologista Cláudia Cozer, uma das diretoras da
Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e
da Síndrome Metabólica (Abeso), o mais comum são
pessoas magras em função da genética desejarem
engordar.
A médica recebe em seu
consultório tanto pacientes saudáveis, que se
alimentam bem e não precisam de remédios para abrir
o apetite, e pessoas magras que comem muito pouco. |
"Há muitas pessoas abaixo do
peso por causa da genética que em geral comem bem, mas
pouco", diz Cláudia. "Existem vitaminas que ajudam a abrir o
apetite nesses casos, porém não existe medicamento
milagroso."
Mantendo o peso
Cláudia também destaca a
importância de associar atividade física com boa
alimentação. "Quando a pessoa começa a ganhar peso, se não
fizer exercício começa a ter barriga, especialmente depois
dos 30 anos", explica a endocrinologista. "Se o objetivo for
fortalecer braço ou perna a pessoa deve fazer musculação ou
aulas de jazz, dança, pilates."
"Vou à academia cinco vezes
por semana, durante no máximo uma hora", afirma Cibelle.
"Quem faz atividade física para manter peso, não pode parar,
as pessoas sempre esperam milagres, têm pressa, querem
remédio."
É preciso cuidado com a rotina
de exercícios, especialmente no caso dos aeróbicos, seja
para intensificar como para reduzir. "A primeira vez que
comecei a fazer exercícios físicos em cai de 50 para 42
quilos", diz Izabela.
"Minha maior dificuldade é
manter o peso", afirma Cibelle. "Parei as atividades físicas
durante 20 dias porque viajei a outra cidade e perdi 3
quilos." |
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