Memórias aos Lambe lambe | Osvaldo Nunes de Barros

 

Ao ar livre e sem uma cabine montada

Eu ali na praça sentado num banquinho

Cabelos penteados a me olhar num espelho

E o fotografo falava: Olha o passarinho!

 

Parecíamos sermos as atrações da praça

Ficando eu a fazer posses de contente

Sentia-me dos clientes a celebridade

Ali sentado a frente do Lambe lambe.

 

Assim esperava-se alguns bons minutos

Conforme era o processo para revelação

Uma maquina que parecendo laboratório

Quando de fato nos chamava atenção.

 

As fotos lavadas a um balde com água

Depois passadas no álcool e cortadas

Entre uma conversa e outra do fotografo

Nas fotos ele dava umas boas salivadas.

 

Depois todas eram cortadas direitinho

Com a maestria e sua tesoura amolada

Que ainda eram colocadas penduradas

Pra ao vento serem as mesmas secadas.

 

As fotos instantâneas em preto e branco

Pagávamos por estas uns poucos reais

O pesar é que hoje estes Lambe lambes

Praticamente extintos não existem mais.

 

Lambe lambes os cronistas da sociedade

Resistentes ao tempo nos trás saudades...

Vocês profissionais da arte de fotografar

Um imortal patrimônio cultural das cidades.

 

Osvaldo Nunes de Barros/Policial, amigo e salgueirense.

Dedicado a Héliton e todos da arte de fotografar.

Publicada em 16 de agosto de 2011

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