Dizendo um
novo profeta
Que quando
a noite chega
O dia tem
passado
E os que me
ouvem
O evangelho
é a boa nova
Diante da
semana santa
Quando
comemos e bebemos
A fartura
está sempre nas mesas
Não dos
excluídos
Mas dos que
podem.
O peixe
talvez não seja o mesmo
Daqueles
espinhosos pescados por Simão
A fé pode
até se fazer presente
E o
espírito de amor ao próximo
Já não faz
parte da ressurreição
Os espinhos
e a cruz que carregamos
Faz com que
a cada dia
Quem seguir
os mandamentos
Olhem para
os que têm fome
Vejam os
que passam sede.
A pior fome
não é por comida
Como a
maior sede não é por água
Fome de
espírito sem fé
Sede dos
sofridos por justiça
Há os que
gozam de tudo
Como há os
que não têm nada
Pois saiba
que Jesus o filho de Deus
Deste mundo
não levou nada
Apenas
mágoa, angustia e desamores…
E mesmo
diante dos sofrimentos nos perdoou
Pelo menos
um dia da santa semana
Dê comida a
um que passa fome
Dê água a
quem sente sede
Perdoe
alguém que te fez o mal
Reze um pai
nosso para nossos mortos
Doe uma
roupa que não te serve mais
E um
calçado que te aperta o pé
Pois aquele
mendigo do ano passado
Que bateu
na tua porta e não foi atendido
Pode ter
sido Jesus de Nazaré.
Emissael Alves de Barros
Poeta salgueirense.