No meu sertão sinto a magia da invernada
Sou energia sertaneja, de relâmpago e trovão
Tenho a esperança no verde da plantação
No sertão, sou alegria, na chuva anunciada
Do grão do milho, sou desejo da multiplicação
Alimento sonhos, de bicho, de gente e passarada
Sinto um prazer no cheiro da terra molhada
Meu ser, tão em festa, festejando a floração
Sou líquido de céu derramado sobre a gente
Corro livre nos córregos, passo qualquer passagem
Sou céu, que cai no chão, e me faz de água corrente
Sou nudez da vegetação, recoberta na folhagem
Que faz nossa gente do sertão ser tão contente
Sou o riso sertanejo, sou o sorriso da paisagem